MATEUS ALELUIA

MATEUS ALELUIA
Armazém 8

‘Olorum’, é o terceiro álbum a solo e o primeiro todo autoral de Aleluia, com produção de Ronaldo Evangelista

 

Olorum, na cultura iorubá, é a divindade que criou a si mesma, que de si produziu os orixás que dariam origem ao céu (orum) e ao mundo em que vivemos (aiê), sendo ele próprio apartado dos humanos, desvinculado dos dilemas pequenos da criação, simbolizando uma estaticidade transcendental.

É o nome do novo disco de Mateus Aleluia, esse verdadeiro mestre musical da africanidade baiana, nascido na cidade de Cachoeira, em 1943, e que agora chega aos 77 anos. Membro do celebrado grupo Os Tincoãs, Aleluia fez sucesso nos anos 1960 a 1980, até se mudar para Angola em 1983, onde ficou a trabalho do governo angolano fazendo pesquisas culturais até 2002, quando voltou ao Brasil. Por isso, talvez, tenha gravado antes apenas dois álbuns solo: Cinco sentidos, de 2010, e Fogueira doce, de 2017, ambos com uma potência de composição, letra e performance que se fazem na sutileza de um verdadeiro canto de louvor e amor.

Olorum continua esse legado, porém, se nos dois primeiros álbuns Aleluia parecia cantar intimamente, ecoando macio os tambores e gingados fortes de Os Tincoãs no violão, na voz e nos arranjos sofisticados, agora, ele retorna em grande parte à fusão do passado, mas com uma maturidade e uma força religiosa e política que o marcam como figura incontornável.

 

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