EXPOSIÇÃO:
Tendo por premissa que a perceção do mundo, e da própria vida, tem vindo a ser moldada pelas forças em conflito da globalização e da identidade, Rafael G. Antunes rumou ao sul de Portugal para a materialização deste corpo de trabalho. Foi ao encontro de uma forma de cante polifónico que era usual acompanhar Mulheres e Homens no trabalho agrícola manual. Caído em desuso com o surgimento da industrialização no País nos finais do século XIX, era – e ainda hoje é (2019) – uma forte manifestação de Património Cultural Imaterial.
A revolução das tecnologias de informação e de comunicação transformaram a noção de tempo e de espaço, mediante a criação de um espaço de fluxos e de um tempo atemporal. Esta nova forma de organização social, que penetra em todos os níveis da sociedade, tem vindo a ser difundida mundialmente, abalando instituições e transformando culturas.
Dentro deste panorama, como é que expressões de identidade coletiva, assentes na sua singularidade histórica e cultural, conseguirão subsistir e preservar as suas características fundamentais? Serão estas expressões identitárias capazes de gerar ações simbólicas que lhes permitam continuar a dar sentido a um comportamento cultural coletivo, por forma a manter viva a memória coletiva de um povo? Continuará a ouvir-se o polifónico cante alentejano no Alentejo?
Nesta série de retratos, Rafael G. Antunes propõe o rosto como definidor de um espaço de ação imagética e emotiva, que apela à contemplação do observador, propondo-lhe a sua própria construção narrativa, e, simultaneamente, convidando-o a dar uma interpretação psicológica a cada indivíduo representado.
O TRABALHO DE RAFAEL G. ANTUNES (Mafra, 1977) propõe refletir e explorar, com o recurso à imagem fotográfica e videográfica, as tensões e as dinâmicas transitórias nos conceitos de identidade, memória coletiva e individual, e de Património Cultural (quer seja material ou imaterial) quando confrontados com a compressão do espaço geográfico – através do encurtamento da noção de tempo – que a mundi-visão e os progressos tecnológicos impuseram à Humanidade. Tendo por base uma abordagem metafórica, as suas imagens posicionam-se em contraponto às perceções culturais atuais, reféns de ações simbólicas geradas, partilhadas e consumidas de uma forma cada vez mais global.
Em 2019, e depois de um percurso de 21 anos a fotografar para a Imprensa Portuguesa como free-lancer, começa a pensar a fotografia – e concretamente o retrato – de uma forma mais filosófica e conceptual. Esta sua nova abordagem à imagem fotográfica – mas também videográfica – leva-o a ingressar, em 2019/20, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, onde frequenta os cursos de Estética, e História da Arte Contemporânea I. Em 2020/21, na mesma instituição, frequenta os cursos de Cultura Visual e teoria da Imagem, e História da Arte contemporânea II.
Formado em Fotografia pelo IADE (Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação) em 1999, cursou, em 2003/04 e 2005/06, Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ao longo dos últimos 16 anos frequentou inúmeros cursos no Cenjor (Formação Profissional para Jornalistas).
Prémios
– 2020 – Finalista – 6th Fine Art Photography Awards
-2020 – Finalista – Siena Creative Photo Awards
– 2020 – Menção Honrosa – International Photography Awards
– 2020 – Editor´s Pick – Life Framer Portrait Awards
– 2021 – Menção Honrosa – Tokyo International Photo Awards
– 2021 – Finalista – 7th Fine Art Photography Awards
Exposições
-2020 – Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira
– 2021 – Museu Municipal de Ferreira do Alentejo
